quinta-feira, 30 de julho de 2009


Sede de ti ...


Respiro o teu corpo
Sabe a lua-de-água.
Ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite.
Sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eugénio de Andrade

domingo, 5 de julho de 2009


Há varias formas de dizer "eu amo-te", sabes? Eu sei que sabes. Talvez de ame tanto como a minha própria vida, mas não há ninguém que ame até à morte,ou talvez haja... mas eu não sei. Tu sabes?



Cavalguei o teu corpo.
Dominei-te o sexo, mordi-te o clítoris.
Chupei...faminto,esgotado.
Desejo
Fogo
Chupamo-nos.
Fode-me o
sexo faminto,animal.
Fode-me
Fala-me de amor.
Falo-te de amor.
Controla-me,o meu desejo não tem limites.,
O meu desejo tem o teu nome, nome que espera.
A tua boca voluptuosa.
Beija-me.
Beija-me aí nesse sítio onde me perco.
O meu sexo, o teu sexo...
Sedentos...
Invado-te,possuo-te.
Uma união profundamente carnal, mãos, dedos, ejaculações,gritos e risos.
Horas de voluptuosidade, chupando-nos, outra vez.
O meu corpo recorda o calor e a febre.
Serpenteias como se fosses víbora.Animal em ritmo de ying yang
Um tempo de erecção,um tempo de orgasmos,terra hospitaleira o teu corpo.
Não posso viver sem ti.
-digo-te.
Fode-me.`

Anais Nin

quinta-feira, 2 de julho de 2009





Inspiro-te há
365 dias.

quinta-feira, 18 de junho de 2009


Sabes um segredo?



Quando fores velhinho cuidarei de ti .



A minha táctica é olhar-te, aprender como tu és, querer-te como tu és . A minha é falar-te e escutar-te, construir com palavras uma ponte indestrutível. A minha táctica é ficar na tua lembrança, não sei como nem sei com que pretexto porém ficar em ti. A minha táctica é ser franco e saber que tu és franca e que não nos vendemos simulados para que entre os dois não haja cortinas nem abismos. A minha estratégia é em outras palavras mais profunda e mais simples.A minha estratégia é que um dia qualquer não sei como nem sei com que pretexto por fim me necessites.

Mario Benedetti


quinta-feira, 11 de junho de 2009




É fácil fazer um homem amar-te

... Põe-te nua à frente de um espelho, a seu lado
... Todos os delicados detalhes que o fazem sentir
homem e o teu único homem. Oferece-lhe tudo,
oferece-lhe o que faz de ti uma mulher, o perfume
do teu cabelo comprido, o doce almiscarado dos teus seios
... e todas as tuas infinitas
fomes de mulher...

Kamala Das

sábado, 6 de junho de 2009

Sinto um desejo faminto de que me possuas. Sem medo de me perder na vontade de te observar. Sem medos, sem vergonhas, levemente... toco-me.



Anaïs
Quando voltares vou dar-te um banquete literário de sexo – ou seja foder e conversar e conversar e foder. Anaïs, eu vou abrir as tuas entranhas. Deus me perdoe se esta carta alguma vez for aberta por engano. Não consigo evitá-lo. Quero-te. Amo-te. Tu és comida e bebida para mim, és todo o raio da máquina da vida, deitar-me em cima de ti é uma coisa, mas aproximar-me de ti é outra. Sinto-me unido a ti, um só contigo, pertences-me quer isso seja sabido ou não. Cada dia que espero agora é tortura. Estou a contá-los lentamente, dolorosamente. Mas vem o mais depressa que possas. Preciso de ti. Meu Deus, quero ver-te em Louveciennes, ver-te naquela luz dourada da janela, com o teu vestido verde do Nilo e o teu rosto pálido, uma palidez gelada como na noite do recital. Amo-te como tu és. Amo as tuas ancas, a tua palidez dourada, a curva das tuas nádegas, o calor dentro de ti, o sumo que sai de ti. Anaïs, amo-te tanto, tanto! Estou a ficar sem palavras. Estou aqui sentado a escrever-te com uma tremenda erecção. Posso sentir a tua boca macia fechando-se sobre mim, a tua perna apertando-me com força, voltar a ver-te aqui na cozinha levantando o vestido e sentando-te em cima de mim e a cadeira a andar pelo chão da cozinha, fazendo tamp, tamp.
Henry

Anaïs Nin - in Henry & June

quarta-feira, 20 de maio de 2009






[Lindo e Inquietante]


Não dizia palavras, Aproximava apenas um corpo interrogante, porque ignorava que o desejo é uma pergunta cuja resposta não existe. Uma folha cujo ramo não existe, um mundo cujo céu não existe. Entre os ossos a angústia abre caminho, ergue-se pelas veias até abrir na pele jorros de sonho feitos carne interrogando as nuvens. Um contacto ao passar, um fugidio olhar no meio das sombras, bastam para que o corpo se abra em dois, ávido de receber em si mesmo outro corpo que sonhe. Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne, iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo. Embora seja só uma esperança, porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

Luís Cernuda

domingo, 17 de maio de 2009




Lembras-te de corrermos junto nos fins de tarde no meio das cearas onde fazíamos a cama e dizíamos que as nuvens eram algodão doce em forma de criaturas do céu? De quando vimos neve pela primeira vez, que a mãe nos foi buscar para a cama dela e que víamos pelos vidros da janela todos os nossos amiguinhos da rua com cenouras que davam cor aos enormes bonecos de neve que só não os construimos também porque não podias sair de casa e eu decidi ficar contigo para que não ficasses triste. E de quando estavas doente? Que brincávamos de médicos, com todos aqueles equipamentos com que crescemos e que forçadamente tiveste que aprender a viver com eles a vida toda. Quem me dera que soubesses que sinto a falta de tudo isso, mesmo quando passámos toda a nossa infância separados, que chorava de noite e chamava por ti e por aquela que ainda nos dias de hoje me faz falta todos os dias ... todas as noites. Nunca te disse na altura, não compreenderias nem eu própria o entendia, sentia apenas. Todas as vezes que via aquela mala azul, aquela azul que levava tudo aquilo de que irias precisar e mais aquilo que ainda hoje sinto que me roubaste sem teres noção disso. Ficava entregue aqueles que me tentavam dar tudo aquilo que estavas a receber, que se esforçavam em compreender o porquê do meu sorriso constante, o porquê do meu afecto por todos aqueles que eram e não eram estranhos, que me metiam de castigo porque no entender deles eu teria que beber o leite antes de ir para a escola, para crescer para ficar uma menina grande, sabendo tu que ainda hoje eu não o faço porque o detesto. Gostava que soubesses disso mais cedo, para não me estranhares agora. Gostava de ter crescido contigo mesmo que fosse sempre no hospital, chorar quando tu choravas, sentir todas aquelas dores que tu sentias, brincar naquela salinha que tu tanto falavas onde tinhas meninos igual a ti, antes queria ser como tu. Lembras-te da tua terceira classe? Onde a fazia entre a cama do hospital e o teu quarto? Que te esforçavas a fazer todas aquelas contas, copias e mais copias e eu muito orgulhosa dizia que o meu irmão era o mais inteligente lá da escola, porque conseguia passar de ano sem ter que ir às aulas. Sempre te tentei proteger, defender de todas aquelas crianças que achavam estranho a tua forma de viver. Perdoei-te todas as ausências que me causaste porque sabia que precisavas delas mais que eu. Mas hoje não te perdoou toda esta dor que me causas. Deixaste de ser pequenino, cresceste e peço-te por favor que não me leves mais uma vez aquilo que ainda me faz muita falta.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Há rupturas que nos marcam, que depois de quebrada, cicatriza e nos deixa a marca do tempo por mais laços que se criem. A angustia torna-se tão pequenina mas tão pequenina que a dor enfraquece.
Necessito correr, correr em direcções contrarias, onde passo lado a lado da meta das nossas vidas. Correr por correr de olhos vendados, sem metas que nos arrebatem os nossos sonhos. Correr, correr com mais coragem, recuperar as forças para continuar...
Correr. Correr e ganhar folgo, deixar para trás os medos, vencer as angustias, preencher a ausência, matar a saudade, erguer os escombros de tudo aquilo que nós fomos, somos e seremos em mais um novo dia. Não há meta que represente o nosso fim, há sempre um laço nos une.



... penso nele de repente, é um homem que deve fazer amor muitas vezes,é um homem que tem medo, deve fazer muitas vezes amor contra esse medo...Olhamo-nos. Ele entende o que acabo de dizer...
Marguerite Duras-L'Amant

sábado, 9 de maio de 2009


Existiu, (existe) esse ápice de tempo. Sonhei-o, vivi-o, senti-o. Agora estou cansada e esta viagem parece-me interminável.



Não, não o faço por tristeza nem superstição.
Cada noite assinalo na parede do tempo.
Presidiário que não deseja o último dia.
Apenas por te ouvir e amar,pura volúpia, gratidão de ser.
António Osório- O lugar do amor e Décima aurora (Obra Poética II)